Paulo Henrique Amorim e blogs em portais

Um dia acontecerá com os “condomínios” de blogs o mesmo que aconteceu com Paulo Henrique Amorim, não restaram sequer arquivos de seu Conversa Afiada.

O jornalista Paulo Henrique Amorim escreveu no Conversa Afiada, blog afiliado ao iG, por alguns anos até o rompimento repentino de seu contrato esta semana, o que levaria Mino Carta a também sair do portal em solidariedade (rápido, ou o iG também tira do ar), um post indignado de Carlos Azenha, dúvidas e a sensação de cerceamento de liberdades e total falta de respeito com autor e leitores.

A situação, embora não seja uma regra sem exceções, que sirva de exemplo e peso nas discussões sobre parcerias entre blogs e a mídia tradicional, seja ela um jornal pequeno de pouca circulação ou um mega portal como o próprio iG: independência pessoal, tão valorizada em blogs, nem sempre combina com interesses empresariais.

Sou administrador, com Sampson Moreira, de um condomínio de blogs que reúne atualmente 18 blogueiros. Um de nossos maiores questionamentos internos é até que ponto nos seriam vantajosas parcerias com portais “convencionais”. Quem ganha? O portal que terá conteúdo fresco, novo e de alto poder de relaciomento com comunidades ou os blogs, atores coadjuvantes de interesses maiores e membros facilmente descartáveis, meros acesssórios?

Qualquer portal em pleno funcionameno de suas capacidades gerenciais vai, necessariamente, defender os interesses de seus grupos, políticos ou econômicos, e esta defesa não combina com objetivos às vezes múltiplos de blogueiros ou redes sociais.

Talvez seja uma cresça despropositada, mas ainda não ouvi nenhum argumento convincente contra a idéia de que blogs serão uma alternativa viável de democracia plena apenas se independentes, não massa de manobra ou bibelô de marketing para conglomerados de mídia. É nosso grande desafio, sobreviver criando mercados, não, como rêmoras, ficando à margem catanto migalhas de prestígio.

Paulo Henrique Amorim que o diga.


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Eu sou membro da Legião e Cony é meu salvador

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Carlos Heitor Cony, a quem muito respeito desde a época de vestibular quando o lia seguido de Otto Lara Resende, não é unânime, não é ainda como foi Paulo Autran, como é Fernanda Montenegro, como foram seus pares Nelson Rodrigues (à revelia) e o próprio Otto (também à revelia, mas ora, são coisas da idade). Talvez ele não queira ser unânime, ou não mereça, ou falta-lhe a morte.

Cony é contra a Legião de chatos, da qual faço parte, portanto a defesa de agora. Trechos da coluna do dia 18:

Quando Cristo expulsou Satanás de um endemoniado, perguntou-lhe o nome. Satanás respondeu: “Meu nome é Legião”. Os chatos de agora são também uma legião, a internet ampliou-os em número, freqüência e virulência.

Todos os meus amigos -e até mesmo alguns que não chegam a isso - reclamam das mensagens, das sugestões e, sobretudo, das denúncias do interesse de cada um. Do prefeito que não asfaltou a rua, do emprego que alguém não obteve, do concurso que o reprovou.

O e-mail, que deu oportunidade à comunicação de forma surpreendente, se, de um lado, está servindo na busca e na troca de informações para aproximar pessoas, de outro, está produzindo chatos em massa, em escala industrial.

Desocupados, embriões de gênios que desejariam ser comentaristas de política, de esportes, de economia e de cultura, ditando regras disso ou daquilo, encontraram afinal a tribuna, o miniespaço que buscavam e não conseguiam.

Entram na internet com tempo e garra suficientes para tentar criar um mundo à sua imagem e semelhança, mundo que felizmente não existe, a não ser na cabeça desses novos Petrônios informatizados.

Ele, o Petrônio da Folha, o homem que chegou lá e que não é um chato, deve ter a opinião elevada à categoria de mandamento, ele tem licença especial que os muitos mortais, aqueles que não conseguiram o miniespaço, não têm ou jamais deveriam ter.

Não reclamemos de nossas ruas precárias, de nossa substancial falta de empregos, que fiquemos nas nossas fofocas de vizinhança, na pequenez da vida íntima da morena solteira do 101, no câncer do velho do 404.

Nossa política é para estadistas e quem somos para discutí-la? O que nos dá o direito de olhar para nossa economia e cultura quando deveríamos atentar mais para as novelas e os brothers das noites de terça? Por que não deixar para os Sócrates e Aristóteles, irmãos em gênio e iluminação de Heitor, nosso próprio príncipe de Tróia, que nos guiem para fora da escuridão?

Eu, parte da Legião, devo aceitar Cony como meu Cristo ou devo me regozijar pelo mundo não ter sido moldado à imagem e semelhança de Cony?

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O mercado está mais preparado do que nós

O título é o resumo da curta entrevista de Michel Lent ao blog da BlogTV sobre a Proxxima 2008, quando falou sobre publicidade, mercado e a Web 2.0, tudo em quatro minutos. Lent está coberto de razão.

Embora minha área não seja a publicidade, como jornalista sofro diretamente com suas crises e sou atingido por suas novas necessidades e tendências. Como webjornalista (este apelido redondamente equivocado), em um país onde a internet é um sucesso de público mas ainda engatinha como negócio de conteúdo, esse reflexo é ainda mais brutal. Na luta cotidiana pela fatia do bolo, com crescimento anual recorde em 2007, presente das escolas públicas aos hotéis cinco estrelas, a web ainda não é um mar de rosas. E isso é culpa de veículos e agregados, não de demanda do mercado.

São 9,6 milhões de brasileiros lendo blogs, R$ 6,3 bilhões em compras em 2007, 33% de crescimento no acesso via iPhone, 19 milhões de leitores de portais e perspectiva da classe C chegar a 40% do universo de um total de 21 milhões de usuários. O mercado está de flanco aberto enquanto “mídias antigas” atiram no escuro e se perdem em devaneios.

É preciso que os profissionais que já participam da transição para uma nova mentalidade no dueto publicidade/conteúdo estejam mais atentos ao que dizem os Twitters, Orkuts, MSNs, Facebooks e os blogs com seus comentários e networks para entender e trabalhar sobre alguns pontos:

  • não há mais centralização, a produção é necessariamente difusa pois feita por pessoas em tempos e espaços difusos;
  • se há mais facilidade de mesuração, há mais proximidade com o mercado, portanto, há mais interação direta com leitores/clientes, pessoas, e não apenas estatísticas, dispostas ao choque, à aliança ou à indiferença, agora com poder de construção de mensagens facilmente transmitidas e assimiladas para/por outras com igual poder;
  • conteúdos são produzidos na medida do interesse dos receptores, dogmas de produção jornalística e publicitárias não existem mais, já que não há mais tempo para que dogmas se estabeleçam como tal;
  • a internet é feita por pessoas para outras pessoas e não por veículos para uma massa (vide vídeo no final do post com apresentação de Mr. Mason), o desafio é como se infiltrar, não como cooptar.
  • o mercado, agora, sempre estará à frente.



P.S.: em 2007 fiz entrevista com com Michel Lent no BlogueIsso!.
P.S. 1: relendo o post agora, os itens com que devemos nos preocupar são absurdamente óbvios, quem não sabe disso? A resposta, a tirar por algumas conversas de hoje - a unificação de equipes e uso de novas tecnologias no cotidiano de uma redação - e que motivaram em parte o post, chego à conclusão de que dentre companheiros de trabalho e interlocutores na internet, muitos ainda não pensaram sobre o asssunto, outros não têm a menor idéia do que esteja acontecendo. O post é para eles.

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UNdata, fonte de pesquisa à mão

Uma dica para jornalistas e pesquisadores em geral. As Nações Unidas lançaram o UNdata, site que centraliza estatísticas, dados e publicações da organização. São informações detalhadas sobre economia, condição social, política e demografia de boa parte do mundo. Sobre o Brasil são mais de mil registros, da dívida externa ao número de internautas. Para olhares mais atentos, além de fonte de pesquisa pode ser uma ótima fonte de pautas.

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O jornalismo visto pelos americanos

Segundo pesquisa do We Media/Zogby Interactive, 67% do público americano acredita que o jornalismo tradicional perdeu o sentido (”out of touch”). Enquanto 70% acredita que o jornalismo é importante para a qualidade de vida, 64% estão insatisfeitos com o jornalismo de suas comunidades. Boa notícia para quem trabalha na web: 48% disseram ter a internet como fonte primária de notícias, contra 29% da televisão, 11% rádio e apenas 10% do jornal.

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Um curso que vale o trabalho de ir

A Caros Amigos realiza em 8-9 e 15-16 de março o Anticurso de Jornalismo com José Arbex Jr, Ferráz, Mylton Severiano, Claudio Tognolli, Sergio Ponto Almeida, Marcos Zibordi, Georges Bourdoukan e Hamilton O. Souza, onde, segundo Myltainho, serão discutidos “a exigência do diploma, essas bobagens aí… a mídia gorda”. Cursos irreverentes, os melhores. Mais informações no Jornalirismo. (Via Conversa Afiada)

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O problema dos sites de jornais é mais primário do que reza a vã filosofia blogueira

Na quarta-feira, Carlos Cardoso publicou um ótimo texto sobre estilo em blogs e a contrapartida na velha mídia, “Se eu pudesse falar a língua dos blogs“. Não tenho o que tirar, talvez poria mais alguns detalhes, mas isso não vem ao caso agora. O que me chamou a atenção no artigo foi a frase:

“Redator de site de jornal não linka por ordem superior E por falta de hábito”.

Existe uma certa paranóia entre os blogueiros (e aqui não vai nada especificamente sobre Cardoso, ele só serviu de inspiração e é um dos poucos com os pés no chão) com relação às redações dos jornais impressos e suas versões eletrônicas. A falta de link e de linguagem apropriada para internet, dois dos principais defeitos do jornalismo analógico quando transportado para um meio digital e naturalmente multimídia como é a internet, nascem de problemas muito mais primários do que uma ordem superior, que denota mais conhecimento de internet do que realmente existe, ou só falta de hábito, ou seja, apenas uma espécie de falha no treinamento.

Não conheço os padrões em toda a imprensa brasileira, mas apenas em alguns jornais do Nordeste e outros do Sudeste, incluindo alguns grandes, e esse preconceito blogueiro de que sites de jornais não linkam por não querer dar chance a blogs ou não têm o estilo de texto certo ou a conversação possível nos blogs por causa de uma orquestração pensada, uma espécie de conspiração entre pares, ou um defeito de formação dos jornalistas, não se demonstra verdadeiro em uma visita medianamente atenta a uma redação.

Primeiro, não existe redator de site de jornal na internet. Existem redadores em portais/sites que funcionam como empresas à parte do papel, aqueles com equipes próprias, vidas próprias, cobranças e metas específicas, centros de custo separados e chefias independentes, mas não existe esse personagem na conversão papel -> bits. Geralmente, há um jornalista responsável por catalogar, classificar e formatar centenas de matérias por dia, inserir fotos e verificar se cada matéria foi ou será realmente publicada no impresso. Essa pessoa está tão sobrecarregada que linkar é um luxo que transformaria um turno de sete horas em 14, reescrever as matérias para um estilo de texto mais internet é simplesmente impensável.

Muitos jornalistas sabem como fazer um link, muitas chefias nunca proibiram links para blogs ou outros sites (talvez apenas para os concorrentes diretos), nem mesmo há perseguição àqueles que copiam e colam íntegras. Há, sim, uma certa permissividade entre velha mídia e nova mídia. Quantas vezes houve processo de agências de notícias, veículos, fotógrafos profissionais ou jornalistas contra blogueiros que copiaram fotos ou matérias inteiras? Que eu saiba, nenhuma, por quê?

As redações estão preocupadas com o excesso de horas extras, os repórteres estão se equilibrando entre três, quatro pautas diárias que só podem ser realizadas com um bom punhado de ligações telefônicas, horas entre arquivos de jornal velho ou na própria internet em pesquisas de contextualização, saídas às vezes para os buracos mais terríveis de uma cidade, caça à fontes e assessores que freqüentemente se escondem, metendo o pé na lama, correndo atrás de bandido e, em casos extremos, morrendo. Simplesmente não há tempo para orquestrar conspirações.

Esse dia-a-dia, construído em anos de administrações baseadas em economia, cortes de custos, multiplicação da produção per capita é o verdadeiro desafio prático das redações da velhas mídias frente ao user made content. Como competir com uma multidão de pessoas produzindo entretenimento e informações - de melhor ou pior qualidade dependendo de quem produz, como é, também, nos veículos analógicos - gratuitas para quem usa, baratas para quem faz e, ao mesmo tempo, ter empregados sobrevivendo do próprio trabalho?

Hoje, em Fortaleza, o piso salarial de um jornalista está em torno de R$ 1,4 mil, em São Paulo é de R$ 1.575,00, é pouco, muito pouco, mas quantos blogueiros fazem isso por mês? 1%, 2%? Como uma empresa poderá sustentar uma estrutura de cem profissionais, cada um por um pouco mais de R$ 2,8 mil (os impostos e encargos dobram o custo de um empregado), com transporte, ligações telefônicas, insumos, material de escritório… e competir com quem ganha US$ 50 do Google e está feliz?

O buraco não está no estilo, no ego, na falta de links ou na paranóia dos blogueiros que acreditam que o mundo está contra eles, mas em toda uma nova economia que está por vir. O resto é armazém de secos e molhados e neguinho ou atirando no escuro ou em cachorro morto.

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O mapa de redes sociais no mundo

Mapa de redes sociais no mundoO Le Monde publicou hoje as audiências das redes sociais em diversos continentes. A conclusão sobre a América Latina não poderia ser diferente, dado o sucesso absoluto do Orkut no Brasil, com 156 milhões de horas por mês. De fato, os dados não chegam a surpreender, nos Estados Unidos continua o domínio do MySpace seguido do Facebook. Ambos os serviços dominam o mercado de redes sociais americanas beirando a unanimidade, juntos somam bem perto de 400 milhões de horas/mês. Um dado novo: o sucesso do Bebo na Europa. Cenários bem definidos.

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Mais boas notícias sobre a Lei de Imprensa

Seleção de texto do Observatório de Imprensa, no “Entre Aspas” de Luiz Antônio Magalhães, tem mais boas notícias sobre o fim da nossa tão famigerada Lei de Imprensa, uma amarra que na melhor das hipóteses já dura 41 anos. A história dela, disponível em linhas rápidas na mesma seleção, nos dá a real dimensão da sociedade brasileira: nunca tivemos plena liberdade de expressão.

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Prensa 3.0 e declaração de objetivos


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Há muito tempo quero fazer um blog sobre novas ferramentas para o jornalismo, mais especificamente, como a web e as tecnologias atuais podem auxiliar na prática dos jornalistas e das redações com tudo o que esse universo desdobra. O Prensa 3.0 é a execução deste desejo.

O que você verá aqui?

  • aplicações da chamada Web 2.0 no jornalismo;
  • novidades sobre a web semântica;
  • uso de redes sociais na busca de fontes;
  • plataformas de comunicação;
  • modelos de publicação de informações;
  • debates;
  • entrevistas com webjornalistas;
  • modelos de cobertura;
  • jornalismo cidadão;
  • livros e sites de referência.

Embora o foco do blog seja o jornalismo, espero que também seja útil para blogueiros interessados em melhorar conteúdos e conhecer novas práticas.

Dúvidas, sugestões, pedidos de matérias, enfim, qualquer intervenção dos leitores, desde que respeitosa e dentro do tema, será bem recebida. Agora, deixando de falatório, ao trabalho.

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