O mercado está mais preparado do que nós

O título é o resumo da curta entrevista de Michel Lent ao blog da BlogTV sobre a Proxxima 2008, quando falou sobre publicidade, mercado e a Web 2.0, tudo em quatro minutos. Lent está coberto de razão.

Embora minha área não seja a publicidade, como jornalista sofro diretamente com suas crises e sou atingido por suas novas necessidades e tendências. Como webjornalista (este apelido redondamente equivocado), em um país onde a internet é um sucesso de público mas ainda engatinha como negócio de conteúdo, esse reflexo é ainda mais brutal. Na luta cotidiana pela fatia do bolo, com crescimento anual recorde em 2007, presente das escolas públicas aos hotéis cinco estrelas, a web ainda não é um mar de rosas. E isso é culpa de veículos e agregados, não de demanda do mercado.

São 9,6 milhões de brasileiros lendo blogs, R$ 6,3 bilhões em compras em 2007, 33% de crescimento no acesso via iPhone, 19 milhões de leitores de portais e perspectiva da classe C chegar a 40% do universo de um total de 21 milhões de usuários. O mercado está de flanco aberto enquanto “mídias antigas” atiram no escuro e se perdem em devaneios.

É preciso que os profissionais que já participam da transição para uma nova mentalidade no dueto publicidade/conteúdo estejam mais atentos ao que dizem os Twitters, Orkuts, MSNs, Facebooks e os blogs com seus comentários e networks para entender e trabalhar sobre alguns pontos:

  • não há mais centralização, a produção é necessariamente difusa pois feita por pessoas em tempos e espaços difusos;
  • se há mais facilidade de mesuração, há mais proximidade com o mercado, portanto, há mais interação direta com leitores/clientes, pessoas, e não apenas estatísticas, dispostas ao choque, à aliança ou à indiferença, agora com poder de construção de mensagens facilmente transmitidas e assimiladas para/por outras com igual poder;
  • conteúdos são produzidos na medida do interesse dos receptores, dogmas de produção jornalística e publicitárias não existem mais, já que não há mais tempo para que dogmas se estabeleçam como tal;
  • a internet é feita por pessoas para outras pessoas e não por veículos para uma massa (vide vídeo no final do post com apresentação de Mr. Mason), o desafio é como se infiltrar, não como cooptar.
  • o mercado, agora, sempre estará à frente.



P.S.: em 2007 fiz entrevista com com Michel Lent no BlogueIsso!.
P.S. 1: relendo o post agora, os itens com que devemos nos preocupar são absurdamente óbvios, quem não sabe disso? A resposta, a tirar por algumas conversas de hoje - a unificação de equipes e uso de novas tecnologias no cotidiano de uma redação - e que motivaram em parte o post, chego à conclusão de que dentre companheiros de trabalho e interlocutores na internet, muitos ainda não pensaram sobre o asssunto, outros não têm a menor idéia do que esteja acontecendo. O post é para eles.

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